7 de agosto de 2013

Dissecando o filme: RoboCop

8 comentários :
 É com muito gosto que dedico o meu texto número 100 para falar de um dos filmes mais icônicos dos anos 80, queria agradecer a você que sempre arranja um tempo pra ler meu blog, cada vez mais me inspira a continuá-lo e além de tudo divulga ele, serei sempre eternamente grato, de coração!

"Look at that fuckin' gun!"
 RoboCop é mais importante pra mim que a maioria dos filmes que eu assisti e acho que sempre vai ser assim pelo resto da minha vida pois basicamente ele foi o maior herói da minha infância, sem incluir Batman e o Aranha, que vieram logo depois. Comecei a ver os filmes aos 7 anos de idade (sou a prova viva de quem filmes não influenciam crianças a serem violentas, há), naquela época era o bom e velho VHS só com idioma original, eu via os filmes legendados mesmo e não estava nem aí. Poxa, era o meu herói que estava na tela, derrotando todos os bandidos e protegendo os inocentes.

 Sempre tomei as atitudes dele como exemplo, eu não deixei a questão da violência entrar na cabeça, claro, mas tentava interpretar a mensagem que o filme nos dava, a de agir do lado bom das coisas, lutar contra a vontade dos outros sobre você e sempre lutar pelo que acredita.

 Todos temos coisas que nos influenciam, mesmo sem notar, ela sempre está ali, personagens em livros, quadrinhos, filmes, games, etc e também  a historia em si influencia demais. Claro que não me inspirei em me tornar um ciborgue, mas sim em seguir sempre um lado que acreditamos ser o certo, sempre lutar contra uma forma opressora que tenta nos cercar cada vez mais, no filme essa opressão é retratada pela empresa sem escrúpulos chamada Omni Consumer Products, ou OCP.

O filme:

 Não adianta me falar que ele é lento, que ele não voa ou que ele não tem os propulsores ou a tecnologia, pra mim ele vai ser o personagem mais incrível e chutador de bundas da história do cinema, a luta dele contra ED-209 é uma das mais marcantes, tudo o que aconteceu pra levar a ela, te prende.

 É um filme com atuações ótimas, destaque para a dupla principal, Alex Murphy/RoboCop (Peter Weller) e a ótima Anne Lewis (Nancy Allen) que mostram um entrosamento incrível e obrigatório para o que o filme vai exigir aos dois atores.

 Murphy tem a frase chave do filme, que desencadeia uma das maiores surpresas: "Dead or alive, you're coming with me.". Essa frase marca o retorno da memória quando ele já está formado como RoboCop, é uma parte ótima. Sem contar outras como "Your move, creep.", "Thank for your cooperation. Good night.", "Come quietly or there will be... trouble.".

"Murphy, it's you."
 O drama de Murphy é mostrado com um toque inteligente, pois você reflete. É a historia de um policial que foi brutalmente assassinado, tem seus restos mortais usados num produto e mais tarde relembra da vida anterior que teve e de como aquilo foi tirado dele por bandidos que o mataram por pura e simples diversão. Murphy ainda pode ser considerado humano, estando em corpo de ciborgue (com somente algumas partes humanas) porém tendo recobrado as memórias de sua vida passada?

 Temos o processo de desumanização de Murphy, que é quando ele se torna RoboCop e o processo de re-humanização, quando suas memórias voltam a ele numa cena totalmente arrepiante e a história começa a andar mais para a vida pessoal do policial e pra vingança contra os bandidos que o mataram covardemente. Uma cena memorável relacionada a esses bandidos, é quando o Robo invade um galpão, conforme vai andando e se aproximando dos bandidos no local, a mira vai marcando todos numa música crescente, é demais.

 Na hora em que o capacete de RoboCop é tirado para revelar a face de Murphy, é o momento chave que indica a humanização do personagem e a aceitação da sua atual situação, agora ele de fato É Alex Murphy e nada vai poder mudar isso.

 A cada momento que ele vai redescobrindo sua humanidade, sua voz robótica vai perdendo efeito. Ao final do filme não ouvimos mais aquela voz robótica cheia de ecos, mas sim sua voz verdadeira, a humana.

 Esse papo de humanização chega até a passar pelo assunto da ética humana, pois até quando é correto uma empresa fazer uso dos restos de um policial morto sem permissão, só dizendo que ele está "legalmente morto e podemos fazer o que quiser"?

Saudades Murphy
 Os bandidos nesse filme são especialmente odiáveis, destaque para Richard "Dick" Jones (Ronny Cox), vice-presidente da OCP e o psicopata Clarence Boddicker (Kurtwood Smith), este último sendo o líder da gangue que matou Murphy (simplesmente por diversão, pois todo o grupo é composto de maníacos odiadores de policiais) é quem mais se destaca pois ele é um vilão que tem um pavio curto e um humor extremamente maldoso. É o vilão que esse filme precisava.

 Dirigido por Paul Verhoeven, o longa metragem mostra um lado que cai para o humor negro, como a vez em que o jovem Sr. Kinney é totalmente metralhado por ED-209, seu corpo todo destruído caído em cima de uma maquete e aí alguém ao fundo grita "Somebody wanna call a GODDAMN paramedic?!".

 Ou então, quando o Old Man (Dan O'Herlihy), presidente da OCP, diz para Dick Jones a irônica linha: "Dick, I'm very disappointed", parecendo que ele está falando, bem... com seu "junior".

 Vale notar também que o nome do vilanesco "Dick" Jones, faz menção à uma popular frase "what a dick", que remete ao personagem em si ser rude e uma pessoa totalmente idiota.

 Há também ligeiras cutucadas na sociedade americana através dos comerciais (que muitas pessoas, quando assistem o filme, julgam idiotice), como o clássico SUX 6000. A jogada de palavras mostra como a mídia se comporta: querem vender um produto péssimo, como visto na frase "An American Tradition. 8,2 miles per gal", seu nome tem uma brincadeira obvia, sendo SUX (sucks) e pra finalizar o comercial fala: "Because bigger is better!".

 As pessoas neste universo são seduzidas por comédias simplórias de TV que as tornam verdadeiras escravas do entretenimento, fazendo as mesmas ignorar o fato de que a OCP está controlando a cidade inteira e jogando a vida deles fora com o projeto de construção da cidade do futuro, Delta City.

A sociedade apresentada no universo do filme é cínica e mesquinha, valorizam as piores coisas, pouco se importam com o que acontece ao redor. Os executivos da OCP nem ligam em perguntar para a esposa de Murphy se ela concordava com o que foi feito com seu marido.

Também temos críticas ao capitalismo privatista, como foi feito com a polícia de Detroit, já que no "universo RoboCop" ela foi privatizada... aí me pergunto, até quando uma empresa tem o poder sobre as pessoas? Quão grande é o poder da OCP quando tem a oportunidade de criar um policial para uso privado SEM consultar parentes?

 Como deve-se agir quando esse dito policial recupera a memória e enxerga o real inimigo da sociedade que ele jurou proteger? RoboCop 3 tinha um plot ÉPICO de conclusão pra história do Robo e da OCP, mas seguiu caminhos muito errados e destruiu a possibilidade de uma conclusão à altura.


 Esse filme é daqueles que nenhuma linha de diálogo é desperdiçada e todo momento do filme serve para crescimento dos personagens, assim como revelações de enredo que te fazem dar cambalhotas no sofá da sala.

 A trilha-sonora, feita por Basil Poledouris é um clássico que passa a imagem e o poder do personagem principal e do filme em si, em muitas partes a trilha acompanha o que está acontecendo na cena e isso é simplesmente incrível, tanto que rendeu até Oscar de melhores efeitos sonoros.

 Além disso, ganhou vários Saturn Awards, incluindo melhor diretor, melhor maquiagem, melhor filme de ficção-científica, melhores efeitos especiais e melhor roteiro.

 Analisando os paradigmas que o filme implica, com empresas violando liberdade pessoal, a mídia tendo controle total sobre a sociedade, um sistema corrupto que está beirando o colapso, para o ano em que foi criado, é surpreendente que ele ainda faça sentido nos dias de hoje. É um dos melhores, se não o melhor filme a reunir diversos gêneros em um só (uma mistura de filme sci-fi/policial/político) e com certeza, todos que gostam de cinema tem que assistir ao menos uma vez.

 RoboCop é meu filme favorito de todos os tempos. É muito divertido, sci-fi, inteligente e usa de sátira/comédia de uma forma que não fique ridículo. Esse filme funciona como um divertimento pipoca E TAMBÉM como um filme profundo, com muitas críticas que se encaixam até hoje.

8 comentários :

  1. O meu preferido é O Poderoso Chefão. Infelizmente não posso fazer como você e me inspirar no "mocinho", mas tudo bem. xD Colosso, ótimo texto como sempre! Que venham mais 100, 200, 300 postagens aqui, velho =]

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    1. Ou pode, aí o senhor seria preso, mas o que vale é a inspiração. Brincadeira! Muito obrigado mesmo, cara. É importante pra mim!

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  2. Brotha, esse filme é de longe o mais icônico da adolescência, cara! Até mesmo em matéria de design do RoboCop, ainda acho que chuta bundas até hoje, sem desmerecer o Padilha, é claro! Heheheh! Matéria super bacana Kholdão!

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    1. Concordo totalmente, senhor! E muito obrigado!

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  3. Meu preferido é Mad Max 1, até por causa da crueza do filme e pelos personagens icônicos. Mas tenho o Robocop original em casa. Filme violento pra 1987. Valeu!

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  4. Depois desse post me deu vontade de assistir, já está na minha lista kkkk estou adorando ler seus posts, que venham mais *-*

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    1. Muito obrigado mesmo, fico feliz em saber disso. E veja sim, você não irá se arrepender!

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