3 de junho de 2017

Senta que lá vem resenha: Mulher-Maravilha

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 Mulher-Maravilha (Wonder-Woman ou WW) é um filme americano do gênero ação/super-herói baseado na famosa heroína da DC Comics. É dirigido por Patty Jenkins com roteiro escrito por Allan Heinberg. Em seu elenco temos Gal Gadot (Diana Prince/Mulher-Maravilha), Chris Pine (Steve Trevor), Robin Wright (Antiope), Danny Huston (General Erich Ludendorff), David Thewlis (Sir Patrick Morgan/Ares), Connie Nielsen (Rainha Hippolyta), Elena Anaya (Isabel Maru/Doutora Veneno), Lucy Davis (Etta Candy), Saïd Taghmaoui (Sameer), Ewen Bremner (Charlie) e Eugene Brave Rock (Chefe).


 Desde a recepção negativa/mista de Batman v Superman, WW ficou com a tarefa de reerguer a esperança no DC Extended Universe trazendo uma obra que fosse muito bem recebido pela crítica e público. E o que pode-se notar é que o filme não apenas cumpriu o seu dever, como fez muito mais, trazendo uma historia de origem caprichada com uma heroína forte e inspiradora.

 Parte disso deve-se à Gal Gadot. Muito melhor como atriz desde sua época em Velozes e Furiosos, ela é expressiva e adiciona muita personalidade nas cenas em que participa devido ao seu carisma. A atriz passa confiança no papel, sejam em cenas dramáticas ou com ação, ela demonstra estar à vontade e isto fez o filme ficar ainda melhor de assistir.

 É muito bom ver uma produção deste nível, numa sociedade em que são necessários filmes com personagens femininas fortes que são capazes de inspirar esta geração de meninas. Mulher-Maravilha mostrou que há espaço enorme para esse público e que uma heroína é tão importante quanto um herói, ou até mais, por conta da representatividade num gênero cinemático dominado pelo sexo masculino. Gadot passa essa força como atriz e também como personagem.


 Mulher-Maravilha não é qualquer coisa. É um filme que abriu as portas para mais historias atuais centradas em personagens femininas, sejam estas da DC Films, Marvel Studios ou de qualquer estúdio. É absolutamente e incrível que isto tenha acontecido justamente com a amazona mais famosa do mundo.

 O roteiro é bem direto. Steve cai em Themyscira, ele aprende sobre as Amazonas, Diana viaja com ele para a guerra, ela aprende sobre o mundo humano e os horrores que são capazes e estabelece que seu objetivo é matar Ares, que está influenciando a humanidade. O que define este filme como uma boa historia de origem é que evolui Diana a todo momento, fazendo ela ver os horrores e as tristezas da guerra frente à frente e isso mostra a boa pessoa que ela é, pois ela apenas quer salvar todos que estão sofrendo.

 Não apenas tem um roteiro bem escrito, como um visual de encher os olhos. A ilha paraíso Themyscira é lindíssima de ver, a cinzenta Londres e também os locais onde a guerra acontece demonstram o capricho e a dedicação que a equipe de Patty Jenkins depositou na produção do filme.

 Este filme segue a ideologia dos filmes do DCEU fazendo a pergunta: "o mundo é simplesmente branco e preto?". O roteiro usa a própria Diana para responder que não. O mundo tem esperança porque existem pessoas que querem fazer o bem para a humanidade. E isso é o grande trunfo dos heróis da DC acima de outros, eles incorporam um ideal muito maior do que eles mesmos e passam esse ideal em frente, seja para os leitores dos gibis ou para os espectadores.


 A química da protagonista com Steve vem graças à Gadot e Pine. Sempre que os dois estão juntos na mesma cena é garantia de que será divertida de assistir. Sejam nos momentos com certa tensão sexual ou mesmo em que Steve ensina Diana sobre o mundo humano (ou vice versa), os dois atores fazem um ótimo trabalho tornando estes personagens amáveis ao público.

 As cenas de ação são uma obra à parte. O jeito que as Amazonas lutam é magnífico. E deve-se fazer uma menção obrigatória para a parte na "Terra de Ninguém" onde Diana toma a dianteira da luta e avança em cima das tropas inimigas com sua força e habilidade. Este momento é facilmente uma das melhores sequências de ação já feitas em um filme de super-herói e que ficou ainda melhor com o tema principal da personagem.

 Ares é um clássico vilão de blockbuster que aparece no final para a grande luta. A grande guerra não acontece por causa dele, o deus apenas influenciou a humanidade colocando pensamentos e deixou-os fazer o resto. Após matar Ludendorff (o falso vilão), Diana aprende que o deus da guerra não era completamente culpado disso e tem um diálogo MUITO importante com Steve sobre a humanidade e como também podem ser capazes de fazer coisas horrendas por si mesmos.

 O melhor elemento do vilão é o plot-twist em que o Sir Morgan na verdade era a real ameaça. A luta dele com Diana é o clássico "venha para meu lado ou morra" mas funciona como um forte clímax para a conclusão do filme. Não só envolvendo a protagonista e o vilão, mas também o plano de Steve e seus companheiros.

 Falando na luta final, foi divertida de ver mas não foi a melhor parte do filme. Os golpes e as explosões estão lá, mas Mulher-Maravilha é sobre a jornada de Diana no mundo dos homens e o crescimento dela, o final foi uma cereja num bolo que já estava perfeitamente montado.

 Com a derrota do deus da guerra, Diana entende inteiramente quem ela é e aprende que por mais que ela tenha conseguido derrotá-lo, a guerra não acaba do nada, mas através de grandes sacrifícios. Ela entende o que Steve fez para a humanidade e enxergou o altruísmo em seu coração, mas por causa de tudo que ela viu, Diana se afastou da humanidade até os eventos de BvS.


 A CGI não é ruim, várias cenas impressionam, mas em alguns momentos estava óbvio que os personagens eram modelos 3D e na luta final, Ares ficou estranho em algumas cenas. Isto não atrapalha a experiência do filme pois são cenas rápidas, mas não foram sutis o suficiente para evitar serem notadas.

 Outro ponto, é que os vilões, Doutora Veneno e Ludendorff foram tratados um pouco por cima, sem muita explicação do porquê o general precisava daquele gás para ficar forte ou se apenas era um elemento para enganar o espectador até a revelação do verdadeiro vilão.

 Mas, o que pode ser dito com razão é que o futuro dos filmes da DC ainda tem uma enorme esperança de serem sempre bem recebidos. Com a união de Geoff Johns (roteirista dos quadrinhos) e Jon Berg (vice-presidente da Warner) na supervisão dos filmes do DCEU e após o sucesso de WW, os fãs podem suspirar aliviados porque coisas boas estão vindo.


 Mulher-Maravilha é um grande filme, representa com respeito e maravilha (há) uma heroína feminina muito necessária hoje em dia. É divertido, a historia é bem escrita, as cenas de ação são ótimas e seu final mostra uma protagonista altruísta e importante tanto para a DC quanto para o mundo real. Nota 9/10.

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