14 de setembro de 2017

Senta que lá vem resenha: Piratas do Caribe - A Vingança de Salazar

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 Piratas do Caribe - A Vingança de Salazar é o quinto filme da famosa franquia de piratas da Disney. No elenco temos Johnny Depp (Capitão Jack Sparrow), Kevin McNally (Joshamee Gibbs), Geoffrey Rush (Hector Barbossa), Javier Bardem (Capitão Salazar), Brenton Thwaites (Henry Turner) e Kaya Scodelario (Carina Smyth). Foi dirigido por Joachim Rønning, Espen Sandberg e escrito por Jeff Nathanson.



 A trama do quinto filme é fraca e tem um roteiro feito sem inspiração, em que os protagonistas precisam procurar o Tridente de Poseidon que quebra todas as maldições dos mares. Henry Turner quer livrar seu pai do Holandês, Jack Sparrow quer livrar-se do vilão, Salazar quer se vingar de Sparrow e livrar-se de sua maldição e Barbossa quer o tridente para matar Salazar.

 É neste ponto que o filme gera mais perguntas que esclarecimentos. Se este tridente quebra (não se sabe por qual razão) todas as maldições existentes no mundo, porque nenhum personagem sequer menciona ele nos outros filmes? Como o pequeno Will encontrou o Holandês e foi capaz de simplesmente "mergulhar" pro navio? Este é mais um infeliz exemplo de um filme feito sem paixão, apenas para tentar ordenhar mais dinheiro em cima de uma franquia que claramente e infelizmente está perdendo o gás.

 Em nenhum momento o filme passa a sensação de urgência. Os personagens só estão lá na viagem, e navegam, enfrentam um perigo... navegam... A trama falha em passar uma sensação de que algo estava em jogo de verdade.


 As cenas de ação pendem mais para o humor do que entusiasmo e energia. O espectador assiste, dá umas risadas mas não passa disso porque em nenhum momento os personagens estão em uma situação de desafio real. Só estão lá para causar umas risadas na audiência. As famosas lutas de espadas? Não passam nem perto deste filme.

 A historia não proporciona nada de novo e mesmo que algumas poucas piadas funcionem, não só disso é feita uma boa trama. Tudo o que o espectador viu nos filmes anteriores se repete, numa tentativa falha de trazer de volta a pegada do primeiro filme:

 - Um casal de protagonistas com boa aparência protagoniza.
 - O protagonista livra Jack da prisão porque ele precisa do pirata.
 - A busca por um artefato que ajudará os personagens.
 - Um vilão novo (com potencial desperdiçado) que busca Jack Sparrow por alguma razão.

 Falando em Jack, o filme traz dois estrondosos problemas com relação a ele.

 Primeiro: O Capitão foi resumido a um pateta que só aparece na tela para fazer alguma bobeira ou para resmungar algo. Ele bagunça as palavras mais do que o normal desta vez e é apenas um bobo da corte em vez de ser o homem excêntrico e esperto que engana as pessoas com seus planos e acordos.


 Em A Vingança de Salazar ele está apenas de carona, suas cenas são apenas pra fazer alguma graça, numa historia em que ele nem sequer faz diferença. Resumidamente, ele tornou-se um Didi Mocó pirata.

 Segundo: Decidiram mostrar a historia de origem de Jack... em 5 minutos. Tempo suficiente para destruir todo o mistério a respeito de como ele veio a se tornar o famoso pirata.

 Ignorando toda a continuidade da franquia, é mostrado que ele conseguiu a bússola de um capitão aleatório, sendo que no segundo filme a Tia Dalma diz que Jack obteve este artefato dela. E ao final, os tripulantes do navio presenteiam Jack com todos os itens que ele usa em seu visual, apresentando uma origem forçada e que ao mesmo tempo destrói todo o mistério que os fãs tinham a respeito de como ele se tornou tal pirata.

 Em vez das coisas que ele usa serem itens de suas dezenas de aventuras, são coisas que alguns piratas deram como "tributo", todas de uma vez.

 O vilão é inovador, mas mal executado. Salazar, graças a Bardem, demonstrava potencial para ser um vilão forte no nível de Davy Jones. Mas no mesmo filme em que ele é introduzido, o capitão é vencido numa disputa final ridícula numa corrente de âncora. Este é um problema com os blockbusters atuais, ninguém tem visão nenhuma de criar um vilão forte. Só querem fazer algo pipoca e fácil.



 O final do filme é apressado pois quando os personagens chegam na etapa final da "aventura", tudo acontece rapidamente numa luta final que não desperta nenhuma emoção porque o espectador não se conectou com nenhum dos personagens novos.

 Outro elemento que a historia peca é a conexão dos personagens. O sacrifício de Barbossa no final ao revelarem que Carina é sua filha não foi bom porque acontece tudo muito rápido e "do nada", parece que simplesmente jogaram aquilo no roteiro só por jogar. Outra oportunidade grande era aproximar Jack de Henry, dada a historia que o pirata tem com os pais do rapaz, mas nem isso o roteirista considerou fazer.

 Nem mesmo a morte de Barbossa consegue salvar o final. Para contribuir, quando Carina descobre que ele é seu pai, 5 minutos depois já assume o sobrenome "Barbossa" como se ele tivesse feito alguma grande diferença na vida dela, mas acabou saindo de um jeito ridículo no nível do El Diablo chamando o Esquadrão Suicida de "família".

 Para colocar a cereja neste bolo bagunçado, Will Turner que foi totalmente hypado pela produção, aparece por 5 minutos, no começo e no final. Ele nem sequer surge para lutar junto com os piratas quando seu filho é possuído por Salazar. Turner não faz nada mais interessante do que abraçar Elizabeth Swann nos momentos finais como se fosse um presente do roteirista para os fãs, mas tudo que aconteceu para este momento existir foi feito sem inspiração ou sensação de recompensa.

 Mas apesar de todas essas coisas ruins, o filme tem um visual bom, a CGI é bem feita, a trilha sonora é boa e Henry Turner tem potencial para ser um bom protagonista, tudo que ele precisa é de um roteirista que faça um filme digno.

 Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar tentou trazer de volta a pegada do primeiro filme mas acabou ficando sem identidade própria, demonstrou desgaste na franquia e usou todos os seus personagens de forma ruim. Ele é bom pra passar o tempo e diverte em poucos momentos? Sim. Mas nem as referências aos filmes anteriores salvaram. É, sem dúvida, o pior da franquia. Nota 4/10.

P.S. Queridos leitores, eu sou um grande fã de Piratas do Caribe e realmente fiquei chateado por não ter gostado deste filme. Mas se eles trouxerem mesmo o Davy Jones do nada (como mostraram na cena pós-créditos) só porque ele é um "favorito dos fãs" eu vou ficar pistola demais. Já aviso!

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