8 de julho de 2017

Senta que lá vem resenha: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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 Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um filme de ação/super herói produzido pela Marvel Studios, Columbia Pictures e distribuído pela Sony. É dirigido por Jon Watts e em seu elenco temos Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha), Jacob Batalon (Ned Leeds), Laura Harrier (Liz Allan), Tony Revolori (Flash Thompson), Zendaya (Michelle), Robert Downey Jr (Tony Stark/Homem de Ferro), Marisa Tomei (May Parker), Jon Favreau (Happy Hogan) e Michael Keaton (Adrian Toomes/Abutre).


 Mesmo após cinco filmes (entre eles um reboot) do Aranha no passado, é reconfortante ver o quão bem fizeram uma historia diferente para o MCU. Neste ele está na escola, inexperiente e é o Aranha mais jovem apresentado até então e isto é importante, pois o objetivo é mostrar como aquele garoto do Queens se tornou o maior herói do universo Marvel.

 Graças a Jon Watts temos um "filme adolescente" bem escrito, com jovens que agem de forma natural e este é um dos grandes trunfos: a sensação de que é uma historia no estilo do grande diretor John Hughes, com pitadas do universo Marvel, super poderes e humor. Foi isso que colaborou para a criação de um filme diferente e bem-vindo.

 O filme faz bom uso de cores, o que reflete os gibis antigos em que aplicavam os mais variados tons nas ilustrações e foi uma decisão muito boa. O Aranha não é um herói que vive num lugar obscuro e cheio de sombras. Nova York com o aracnídeo tem uma ambientação incrível e passam muito da vida no universo Marvel.


 O Aranha em De Volta ao Lar passa a maior parte da historia buscando aprovação de Tony Stark. Peter constantemente tenta mostrar que é digno de um lugar na equipe, mas ele custa a entender que não é questão disso, mas sim de ganhar experiência como combatente do crime e crescer como pessoa e herói.

 Peter/Aranha é o melhor Aranha já caracterizado em filme (com merecidos elogios à Tom Holland), seu lado nerd cientista/herói da vizinhança foi retratado fielmente. Ele é inteligente e chega a surpreender Tony em certos momentos, mas precisa trabalhar seu lado heroico e isto é mostrado conforme o vemos (vestido de Aranha) interagindo, pulando por lugares e defendendo pessoas.

 Suas cenas com o uniforme são bem feitas e divertidas, além do CGI ser caprichado. Em nenhuma delas ficou aquela sensação de que o filme estava arrastado, pois é assim que é o espírito do Homem-Aranha, alguém que gosta de ser um herói ajudando o "povão" e que sente orgulho no que faz.

 Ele em certo momento sente dificuldade em escalar uma parede, cai ao balançar com as teias e tende a entrar em lutas sem pensar/analisar a situação como deveria. Todos estes erros de um herói novato ajudarão o personagem a crescer e darão ao espectador a oportunidade de vê-lo evoluir.

 Um detalhe especial para o momento em que Peter fica preso nos escombros e tem que usar toda a sua força para sair de lá por si mesmo. Além da demonstração da ótima atuação de Tom Holland, é um momento importante de crescimento tanto quanto do garoto como do herói.


 O núcleo de colegas da escola de Peter é um elemento necessário para construir este mundo em que ele vive, principalmente seu melhor amigo, Ned Leeds, que dá apoio a ele. São pessoas que agem como adolescentes reais, Flash perturbando o Peter, ensaios de banda, disputas estudantis, tudo isso serve para compor o mundo do protagonista de maneira concisa e natural. Todos os atores tem química uns com os outros.

 Adrian Toomes ou Abutre é um personagem bem escrito com motivações simples, ele precisa ganhar dinheiro para sustentar sua família devidamente, não tem nada relacionado a dominação mundial em jogo. Keaton transmite bem a crueldade do vilão, conseguindo fazer com que o Abutre não fosse uma piada. A cena de Toomes de Peter dentro do carro é tensa e mostra o quão medonho o vilão pode ser.

 Tony Stark não atrapalha o desenvolvimento da trama (como muitos dramatizaram ao ver os trailers), ele atua como um mentor para Peter, tentando colocar o jovem num caminho para se tornar um herói melhor do que ele próprio é. Tony funciona como um direcionamento para a parte heroica do Aranha enquanto sua parte humana segue o que sua tia (e tio) ensinaram.


 A decisão de "atualizar" o uniforme do Aranha incluindo diversas tecnologias foi diferente e interessante. É compreensível que Kevin Feige quis dar uma nova direção ao herói para sair do padrão, mas Peter devia aprender muita coisa por si mesmo para ganhar experiência naturalmente. Apenas os próximos filmes dirão como será essa interação do protagonista com a I.A do uniforme.

 As cenas de ação com o Aranha e o Abutre são boas e bem feitas, mas poderiam ser melhores. O vilão se concentra no ar e ataca rapidamente, mas faltou aquela sensação de que tinha algo em jogo de verdade, principalmente na luta final.

 O filme dá a impressão de que diminuíram um pouco a habilidade do Aranha, pois em Guerra Civil ele luta contra Bucky e Falcão sem grandes esforços. Mas pode-se levar em conta de que a dificuldade de lutar contra um inimigo enorme que voa é maior para o inexperiente Aranha que agora está por ele mesmo em Nova York, o que colabora em um nível de estresse maior.

 O tema principal está lá na montagem do logo da Marvel Studios e é incrível. Porém a trilha sonora dentro do filme não traz nenhum tema marcante ou forte. Na luta final, repetem tantas vezes a mesma parte do tema do vilão que chega a cansar.

 A personagem Michelle ser a MJ foi bem colocado, porém deviam utilizar o nome completo dela: Mary Jane. Não fazer isso dá a impressão de que quiseram enganar o telespectador de maneira fácil chamando-a por outro nome. Zendaya como MJ do MCU é uma ideia muito bem-vinda e serve não só para se distanciar dos filmes antigos como também para ter uma representatividade ainda maior, em um elenco ótimo e diversificado.


 Todo o universo e os personagens são incríveis e a historia segue um padrão simples: o protagonista quer provar seu valor, recebe uma lição de moral que muda sua visão e com isso ao final amadurece e começa a traçar seu próprio caminho.

 Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um filme ótimo que retrata com respeito seu protagonista. Traz ao espectador uma nova visão do Cabeça de Teia, é divertido, diferente, com personagens carismáticos e um Peter em processo de evolução para no futuro tornar-se um grande herói. Nota 9/10.

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