1 de fevereiro de 2017

Senta que lá vem resenha: A Chegada

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 Não sei como consegui fazer este post, porque após o término do filme meu cérebro estava completamente derretido.


 A Chegada (2016) é um filme americano de ficção-científica, dirigido por Denis Villeneuve, escrito por Eric Heisserer e é baseado numa historia chamada "Story of Your Life" escrita por Ted Chiang. O filme é estrelado por Amy Adams (Louise Banks), Jeremy Renner (Ian Donnelly), Forest Whitaker (Coronel Weber), Michael Stuhlbarg (Agente David Halpern) e Tzi Ma (General Shang) e começa quando 12 objetos alienígenas chegam na Terra de forma misteriosa e a humanidade tenta descobrir o significado disso.

 Imagine a vida como um filme em DVD. Enquanto ele está dentro do aparelho, o leitor a laser faz com que o filme rode do começo até o final sem problemas. Mas uma pessoa com um controle consegue ver qualquer momento do filme quando ela quiser, podendo assim reviver cenas anteriores e posteriores.

 A personagem Louise através de estudos profundos da língua dos alienígenas (heptapods) começa a ter acesso a momentos de seu passado e de seu futuro. É mostrado, no decorrer da historia, que quanto mais ela se aprofunda e entende a linguagem nova, mais ela pode "controlar" o momento em que ela está.

 Mas apesar dela ter o controle de sua "linha do tempo", por assim dizer, ela não pode mudar sua historia porque tudo já estava gravado. O filme suporta a teoria de que tudo o que aconteceu e acontecerá já está registrado e os humanos estão apenas seguindo em frente.


 A trama entrega dicas sutis do que está tentando passar e o espectador que prestou atenção nisto, no final da historia vai ter entendido 100%. Quando os heptapods mandam a mensagem "Não há tempo" para os Russos, eles interpretam como se fosse uma ameaça, mas na verdade é o conceito de vida desses seres. Não existe o tempo porque eles podem viver o passado e o futuro quando quiserem.

 A Chegada baseia-se muito em linguística, o que foi um diferencial gigantesco para a qualidade do filme. Em vez de vermos uma guerra manjada contra extra-terrestres, no decorrer do filme vimos os personagens descobrindo e se adaptando a uma língua nova, que serve para levar a historia inteira para frente.

 O roteirista apresenta a "Hipótese Sapir-Whorf", em que ao aprender uma língua diferente, o cérebro da pessoa se alterará tanto que a estrutura específica da linguagem vai causar mudanças particulares na cognição e em como a pessoa vê o mundo.

 Louise aprofundou-se muito mais no aprendizado da língua do que seu companheiro de trabalho, Ian, e provou a confirmação desta hipótese, porque a vida inteira dela mudou e o conceito de tempo não fazia mais diferença.


 Além disso, o filme apresenta a questão do Eternalismo. Onde o conceito desta filosofia explica que todos os momentos (passado, presente e futuro) são igualmente reais. Os humanos consideram passado como já estabelecido, o futuro como aberto e o presente onde as mudanças acontecem. A língua dos heptapods faz com que os usuários tenham uma visão não-linear onde todos os momentos existem igualmente, então tornam-se eternalistas.

 No final, quando os heptapods revelam que precisarão da ajuda dos humanos em 3000 anos, tudo fez sentido. Louise ajudou a humanidade a se unir, através disto, a Terra evoluirá e desenvolverão uma tecnologia para viajar pelas estrelas e encontrar os antigos aliens.

 O design das criaturas foi algo que surpreendeu positivamente. No início aparenta que eles são polvos gigantes no maior estilo aliens clichês de Hollywood, mas conforme mostram mais do visual deles, na verdade é visto que eles são seres com pernas longas e troncos compridos, bem diferentes do que o espectador está acostumado.


 A trilha sonora e o visual do filme são lindíssimos. As músicas são emocionais e realmente mexem com o que o espectador sente, junto disso Villeneuve consegue deixar sua obra linda com cenas devidamente iluminadas/enquadradas e paisagens distantes.

 A Chegada é um filme sobre destino, vida e tempo. Altamente recomendado para os fãs de ficção científica que gostam de ter seus cérebros estourados, é um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Nota 10/10.

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