19 de agosto de 2015

Senta que lá vem resenha: Quarteto Fantástico

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 Uma hora ou outra eu teria que ver este filme e fazer uma resenha, não é mesmo? Mesmo através da polêmica declaração sobre a qualidade do filme do diretor, após boatos de que ele não gostava da atriz Kate Mara ou mesmo o fato de que ele e Miles Teller quase saíram na porrada no set do filme, não me desanimaram.


 Quarteto Fantástico é um filme de sci-fi/super-herói baseado nos quadrinhos da Marvel de mesmo nome, foi distribuído e produzido pela 20th Century Fox e é um reboot dos dois filmes anteriores. Dirigido por Josh Trank, com Miles Teller (Reed Richards), Michael B. Jordan (Johnny Storm), Kate Mara (Susan Storm), Jamie Bell (Ben Grimm), Toby Kebbell (Victor Von Doom) e Rag E. Cathey (Franklin Storm).

 O início do filme se mostra promissor, nos dá uma breve introdução da amizade de Reed e Ben, mas ao mesmo tempo em que temos esperança, o filme está muito apressado, não dando tempo pro espectador se identificar e começar a gostar dos personagens.

 Vemos muitos aspectos de ficção-científica, ideia de Josh Trank, que tinha como objetivo tornar Quarteto Fantástico um filme diferente, que não apenas conta uma história de origem, mas sim um filme com uma pegada mais característica dos filmes dele (como Chronicle, que recomendo) e real. Infelizmente isso foi bastante atrapalhado porque a Fox queria muito um filme cheio de ação, o que acabou forçando uma boa parte do ato final em algo extremamente batido e sem sal.

 Além de elementos de roteiro forçados que servem para trazer personagens, como Ben, no complexo científico, eles também não tem evolução alguma durante a duração inteira do filme. Continuam sendo os mesmos, apesar de terem passado por uma situação que os mudou fisicamente, nenhum deles tem alguma "cruzada" pra evoluir e tornar-se, por exemplo, um líder.


 O próprio Ben nem tem diálogos com os personagens principais, ele no máximo conversa com seu amigo de infância Reed, mas só isso. Não temos nenhuma conversa mais complexa sobre a situação dos personagens, sobre a personalidade deles, sobre a relação deles. Estão lá só por estar. O filme acerta nas personalidades de Sue e Reed, mas é triste que não tenham tido a inteligência de evoluir esses personagens, podiam ter feito algo muito legal com eles e ainda mais triste é que pegaram um elenco talentoso pra caramba e mesmo assim não souberam como usá-los.

 Os efeitos especiais também não estão lá essas coisas. Em pleno 2015 ainda somos brindados  com a outra dimensão que parece que veio de um jogo dos primeiros anos de PS3, os poderes do Reed totalmente toscos e o Johnny voando. Aliás, o design desse filme é bastante feio, os uniformes deles não tem inspiração nenhuma e o visual do Dr. Destino está horrendo.

 Eu tive que separar um parágrafo só para ele: Dr. Destino. Em meio aos grandes vilões da Marvel, eu fico pasmo em como quase nunca conseguem acertar na grandeza deles! Destino foi porcamente feito, ele virou mais um vilão que é mal por ser mal, um cara que tá lá só pra ser o antagonista da vez e até logo, até mais ver, bon voyage, arrivederci.



 O Destino nos quadrinhos é líder do país chamado Latveria e isso adiciona um lado totalmente diferente e bem maior pro personagem. O que ele faz nos quadrinhos é em nome de tornar seu país um lugar melhor para as pessoas que lá moram, mas ao mesmo tempo nós pensamos se o que ele faz é certo, se tudo que ele planeja é justificável para salvar uma nação. 

 Nesse filme ele é simplesmente mal porque ficou tempo demais na outra dimensão e agora quer destruir a terra porque sim. Porque a Fox precisava de um combate final "épico".

 Combate este que foi um dos mais anti-climáticos que já vi no cinema atual. Começando pelo fato de que o Dr. Destino é um ser totalmente exagerado, ele pode fazer o que quiser e mesmo assim acaba sendo um podrão contra os heróis, porque parece que ele esqueceu que estava matando todo mundo sem nenhum esforço. 



 A batalha não tem nenhum drama, você não torce pelos personagens porque eles são muito mal explorados, a luta acaba sendo só mais uma pedra no sapato, ela nem diverte. O plano do vilão é acabar com a terra através de um raio azul que sai do céu, onde será que vimos isso antes?

 Quando chegamos ao final, vemos que eles estão mais unidos, não sabemos exatamente porque, já que não foram bem explorados e EXIGEM um prédio para trabalhar porque heróis tem que ter uma base de operações/cópia dos Vingadores. Depois dessa conclusão forçada eles ainda tentam escolher um nome pro grupo num diálogo vergonhoso e então quando o mesmo vai ser anunciado, tela preta com o logo do filme. Uau.

 Acho que esse é um dos melhores exemplos de que a Fox não sabe lidar com o pessoal do Quarteto, não entenderam a dinâmica do grupo, a diversão, o espírito dos personagens. Eu me diverti mais vendo o primeiro filme (o de 2005) do que esse.

Olha o perucão da Kate Mara, galera! (por causa das regravações da Fox)
 Vamos por um exemplo agora pra você ter uma ideia:

  Imagine num universo alternativo, o primeiro filme do Homem de Ferro somente com 90 minutos de duração. Ele passa 5 minutos explorando a infância de Tony, depois tem uma passagem de anos, ele cresce e é sequestrado. Ficamos MAIS DE UMA HORA vendo o Tony sofrendo e criando a armadura. Nos 10 minutos finais aparece um vilão do nada e eles lutam por nada, Tony foge de sua prisão com a Mark 1, esse é o clímax do filme, ele cai no deserto, os militares chegam e fim. Tudo isso em meio a inconsistências e nenhum desenvolvimento de personagem.

 Tem ideia agora do quanto a Fox errou? Por favor, devolvam para a Marvel, ainda dá tempo de se redimir.

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