9 de março de 2017

Senta que lá vem resenha: Logan

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 É com grande prazer que digo que a Fox finalmente conseguiu acertar um filme do universo X-Men... pena que foi justamente na despedida de Hugh Jackman. Mas o filme funciona muito bem como uma grande homenagem e despedida do ator no papel de Wolverine. Contém spoilers!


 Logan (2017) é um filme americano de ação e drama, foi dirigido por James Mangold que co-escreveu o roteiro com Scott Frank e Michael Green. Em seu elenco temos Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (Professor Charles Xavier), Dafne Keen (Laura/X-23), Richard E. Grant (Zander Rice), Boyd Holbrook (Donald Pierce) e Stephen Merchant (Caliban).

 Logo na cena de ação no início, o filme já mostra que liberou o personagem principal para ser aquilo que ele é realmente: Um mutante extremamente perigoso. Finalmente, sem poupar sangue ou desmembramentos, exibiram o verdadeiro potencial de Wolverine e porque ele é temido.

 Junto a esta brutalidade, também vem um lado do mutante que não estamos acostumados a ver: o humano. Logan está cansado, seu fator de cura não funciona mais como antes e por causa disto, o adamantium em seu organismo está envenenando seu sistema, fazendo ele morrer aos poucos.


 Não bastando isso, seu amigo e mentor de longa data, Prof. Xavier (agora envelhecido) sofre de convulsões que liberam todo o poder da mente mais poderosa do mundo. Além de Logan ter que cuidar de si mesmo, ele precisa conseguir remédios para Xavier que anulam seu poder mental e evitar que alguma tragédia maior aconteça.

 O filme é muito emocional na relação dos dois e funciona muito bem porque o sentimento de tristeza e nostalgia é passado apenas na troca de olhares dos personagens. As conversas entre eles tem um peso maior, pois todos os conhecem há 17 anos, principalmente na cena durante um jantar em que ambos relembram e brincam entre si. É de partir o coração ver até onde chegaram juntos.

 A relação de pai e filha que o protagonista tem com Laura também é muito significativa para a evolução da historia e de Logan. Ele precisava de alguém como ela para fazer despertar o seu lado humano e a percepção de que ela não precisa ser a arma que a fizeram ser. Laura, sua filha, ainda tem esperança de manter sua humanidade e crescer como uma boa pessoa.


 As cenas de ação do filme são as mais espetaculares que a Fox soube produzir. Ao deixar Wolverine ser o animal violento que é, o espectador pôde ver as mais brutais finalizações nos combates mais cheios de ação que a franquia X-Men conseguiu proporcionar.

 Este filme é baseado em expressões. Hugh Jackman e Patrick Stewart conseguem transmitir toda a emoção apenas em trocas de olhares. Enquanto Dafne Keen passa toda a raiva e curiosidade de Laura sem precisar falar uma palavra na maior parte do filme.

  Talvez haja uma leve falta de inspiração no desafio de Wolverine neste filme, que foi um clone e apenas isso. Mas serviu muito bem para lembrar o espectador de como ele era em seu auge e como ele está agora, envelhecido e quebrado pelo tempo.


 Após Logan, sabemos que a Fox sabe fazer um filme decente, a única coisa que precisam é de um diretor realmente capaz e que esteja inspirado para fazer algo diferente. Ou seja... joguem o Bryan Singer na gaveta, por favor.

 O filme é ótimo e incorpora muito bem um velho Wolverine. Recomendo à todos que são fãs dos X-Men e que apesar de dois filmes solo ruins do mutante, Logan consegue ser o melhor filme da Fox. Nota 9/10.

8 de fevereiro de 2017

Senta que lá vem resenha: Moonlight

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 Continuando meu especial de resenhas do Oscar, eis um do filmes mais delicados entre todos que assisti, por enquanto.


 Moonlight (2016) é um filme de drama escrito e dirigido por Barry Jekins, baseado na peça Moonlight Black Boys Look Blue de Tarell Alvin McCraney. O filme conta a historia de Chiron que passa por uma jornada de autoconhecimento e evolução em diferentes etapas da sua vida, enquanto ele tenta escapar do caminho criminoso em Miami.

 Em seu elenco estrelam Alex Hibbert/Ashton Sanders/Trevante Rhodes (Chiron), Jaden Piner/Jharrel Jerome/André Holland (Kevin), Janelle Monáe (Teresa), Naomie Harris (Paula) e Mahershala Ali (Juan).

 Este filme é de uma delicadeza gigantesca. A historia explora a evolução e a personalidade de Chiron de um jeito profundo, o que faz o espectador conectar-se de uma forma incrivelmente natural com o protagonista.


 É possível ver que todas as pessoas que ele se relaciona alteram sua vida e conforme ele vai crescendo, a dificuldade que ele tem de tentar ser o que ele realmente é e a pressão da sociedade em fazer ele não ser o seu eu verdadeiro acabam vindo como um pontapé. Quando ele explode, toda a vida dele se altera a ponto de definir todo o seu futuro.

 O filme aborda o tema da homossexualidade com muito cuidado, mostrando o preconceito que existe na sociedade, na pressão que as pessoas causam ao usar o termo "faggot" para ofender outras e na dificuldade que Chiron tem ao entender, finalmente, o que ele sente e em como expressar isto completamente.

 Enquanto a historia explora muito bem o desenvolvimento do personagem, infelizmente o terceiro ato torna-se um pouco arrastado pois falta um impacto maior na conclusão. O fato de Chiron ter carregado o que aconteceu entre ele e Kevin quando menores, apesar de ter sido significante para a evolução dele, não foi o suficiente para levar a conclusão final do filme por si só.


 Mas além disso, é possível notar que o Chiron adulto não era ele de VERDADE. O personagem caiu na pressão da sociedade e tentou se tornar alguém que ele não é somente pra tentar se encaixar num mundo que dita que ele deve ser esse "homem macho alfa" e apena isso. Ele renegou tudo o que era de verdade para tentar conseguir algum tipo de aceitação.

 Infelizmente, algo que incomodou muito também foi a decisão de simplesmente "matar" o personagem Juan. O grande problema não foi esse, mas sim o fato de nem explicarem direito o que aconteceu ou porque aconteceu. Quem está assistindo simplesmente deve entender que ele se foi e um personagem com um potencial enorme desapareceu de uma hora para outra.

 Como o pai de Chiron desapareceu, Juan parecia estar se tornando uma figura paterna grandiosa para o protagonista, mas infelizmente decidiram tirá-lo da historia e a partir daí, o filme perdeu um pouco de seu brilho.


 Moonlight é ótimo, trata os personagens e suas historias com muito respeito. Mas faltou algo mais para que o final realmente segurasse toda a grande jornada de Chiron. Nota 8/10.

4 de fevereiro de 2017

Senta que lá vem resenha: A Qualquer Custo

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 Qualquer filme com o Jeff Bridges no elenco (sem desmerecer os outros atores) merece ser visto, até se for o pior filme do mundo.


 A Qualquer Custo (2016) é um filme western/policial digirido por David Mackenzie e escrito por Taylor Sherdian. A película segue a historia dos irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) que planejaram uma série de roubos para salvar o rancho da família, junto disso o delegado Marcus Hamilton (Jeff Bridges) e seu parceiro Alberto Parker (Gil Birmingham) vão atrás dos dois.

 É notável ver que ainda é possível assistir um western bom feito hoje em dia. É muito divertido explorar toda aquela região do Texas, onde ainda existe toda essa cultura envolvendo cowboys em um filme que é tipo um faroeste do século 21.

 Uma das melhores coisas do filme é a relação entre os irmãos Toby e Tanner que não é feita de nenhuma maneira forçada ou irreal. Os diálogos são feitos e interpretados da melhor maneira possível, onde entregam ao espectador uma relação sincera onde nada mais precisa ser dito em flashbacks ou monólogos excessivamente extensos.

 Tanner se importa muito com Toby e eles são capazes de fazer qualquer coisa um pelo outro. Tanto que ao final do filme (sem spoilers) podemos sentir toda a carga que ambos carregam em suas atitudes para tentar proteger a família.


 Terão momentos em que aparenta não estar acontecendo nada e o espectador pode ter a impressão errada de que ele tem uma historia tediosa. Mas é neste momento que deve-se prestar mais atenção, pois é quando a maior parte do desenvolvimento dos personagens acontece, através das conversas.

 É possível notar os personagens sentem e a profundidade do relacionamento deles em cada cena que protagonizam. Os pequenos gestos e os diálogos "simples" são o que importa para sentir a sinceridade na irmandade dos dois.

 Os outros dois personagens, o delegado quase aposentado Marcus e o parceiro Alberto saem à procura dos dois irmãos. Durante esta investigação, diversas interações entre os dois policiais são mostradas, onde a personalidade de ambos é exibida de forma clara: Marcus é cheio de piadas maldosas e Alberto fica na defensiva, hora ou outra dando uma "lição de moral".

 Bridges consegue incorporar um delegado cansado e experiente. Principalmente em uma parte no final em que ele se vê obrigado a usar um rifle. O ator passa muito bem o cansaço e o estresse que o personagem viveu em toda essa situação, tanto que após este último caso Marcus se aposenta de vez.


 Além do personagens interessantes, o visual do filme é tremendamente bonito de se ver. As áridas paisagens do Texas enchem a tela na maioria das cenas, sejam em momentos na estrada, campo aberto ou na cidade. O trabalho feito com a cinematografia do filme foi de um nível altíssimo e recomendo o filme só por causa disso.

 A Qualquer Custo é um ótimo filme onde o desenvolvimento dos personagens é o foco principal. Se você é fã de westerns recentes no estilo Onde os Fracos Não Tem Vez, com certeza deve assistir a este filme. Nota 8/10.

1 de fevereiro de 2017

Senta que lá vem resenha: A Chegada

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 Não sei como consegui fazer este post, porque após o término do filme meu cérebro estava completamente derretido.


 A Chegada (2016) é um filme americano de ficção-científica, dirigido por Denis Villeneuve, escrito por Eric Heisserer e é baseado numa historia chamada "Story of Your Life" escrita por Ted Chiang. O filme é estrelado por Amy Adams (Louise Banks), Jeremy Renner (Ian Donnelly), Forest Whitaker (Coronel Weber), Michael Stuhlbarg (Agente David Halpern) e Tzi Ma (General Shang) e começa quando 12 objetos alienígenas chegam na Terra de forma misteriosa e a humanidade tenta descobrir o significado disso.

 Imagine a vida como um filme em DVD. Enquanto ele está dentro do aparelho, o leitor a laser faz com que o filme rode do começo até o final sem problemas. Mas uma pessoa com um controle consegue ver qualquer momento do filme quando ela quiser, podendo assim reviver cenas anteriores e posteriores.

 A personagem Louise através de estudos profundos da língua dos alienígenas (heptapods) começa a ter acesso a momentos de seu passado e de seu futuro. É mostrado, no decorrer da historia, que quanto mais ela se aprofunda e entende a linguagem nova, mais ela pode "controlar" o momento em que ela está.

 Mas apesar dela ter o controle de sua "linha do tempo", por assim dizer, ela não pode mudar sua historia porque tudo já estava gravado. O filme suporta a teoria de que tudo o que aconteceu e acontecerá já está registrado e os humanos estão apenas seguindo em frente.


 A trama entrega dicas sutis do que está tentando passar e o espectador que prestou atenção nisto, no final da historia vai ter entendido 100%. Quando os heptapods mandam a mensagem "Não há tempo" para os Russos, eles interpretam como se fosse uma ameaça, mas na verdade é o conceito de vida desses seres. Não existe o tempo porque eles podem viver o passado e o futuro quando quiserem.

 A Chegada baseia-se muito em linguística, o que foi um diferencial gigantesco para a qualidade do filme. Em vez de vermos uma guerra manjada contra extra-terrestres, no decorrer do filme vimos os personagens descobrindo e se adaptando a uma língua nova, que serve para levar a historia inteira para frente.

 O roteirista apresenta a "Hipótese Sapir-Whorf", em que ao aprender uma língua diferente, o cérebro da pessoa se alterará tanto que a estrutura específica da linguagem vai causar mudanças particulares na cognição e em como a pessoa vê o mundo.

 Louise aprofundou-se muito mais no aprendizado da língua do que seu companheiro de trabalho, Ian, e provou a confirmação desta hipótese, porque a vida inteira dela mudou e o conceito de tempo não fazia mais diferença.


 Além disso, o filme apresenta a questão do Eternalismo. Onde o conceito desta filosofia explica que todos os momentos (passado, presente e futuro) são igualmente reais. Os humanos consideram passado como já estabelecido, o futuro como aberto e o presente onde as mudanças acontecem. A língua dos heptapods faz com que os usuários tenham uma visão não-linear onde todos os momentos existem igualmente, então tornam-se eternalistas.

 No final, quando os heptapods revelam que precisarão da ajuda dos humanos em 3000 anos, tudo fez sentido. Louise ajudou a humanidade a se unir, através disto, a Terra evoluirá e desenvolverão uma tecnologia para viajar pelas estrelas e encontrar os antigos aliens.

 O design das criaturas foi algo que surpreendeu positivamente. No início aparenta que eles são polvos gigantes no maior estilo aliens clichês de Hollywood, mas conforme mostram mais do visual deles, na verdade é visto que eles são seres com pernas longas e troncos compridos, bem diferentes do que o espectador está acostumado.


 A trilha sonora e o visual do filme são lindíssimos. As músicas são emocionais e realmente mexem com o que o espectador sente, junto disso Villeneuve consegue deixar sua obra linda com cenas devidamente iluminadas/enquadradas e paisagens distantes.

 A Chegada é um filme sobre destino, vida e tempo. Altamente recomendado para os fãs de ficção científica que gostam de ter seus cérebros estourados, é um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Nota 10/10.

29 de janeiro de 2017

Senta que lá vem resenha: La La Land

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 Às vezes nestes emaranhados e filmes/remakes meia-tigelas encontramos alguns obras que mesmo simples (para os padrões de hoje), conseguem teleportar todos para o imenso e infinito universo juntamente da magia do cinema.


 La La Land (2016) é um filme americano dirigido e escrito por Damien Chazelle, o mesmo diretor de Whiplash. Tendo como seus protagonistas Emma Stone (Mia), Ryan Gosling (Sebastian), conta a historia de uma futura atriz e de um músico que se conhecem e se apaixonam em Los Angeles.

 A historia do filme ao mesmo tempo em que é pé no chão, também mergulha de cabeça no que pode-se chamar de magia do cinema e através disso o filme nos dá uma experiência muito necessária nos filmes contemporâneos: a oportunidade de ser capaz de sentir tudo o que os personagens passam em um nível profundo, seja através das atuações, canções ou da imaginação.

 A química de Emma Stone e Ryan Gosling é uma das coisas que provocam esse sentimento mágico, Mia é quem faz o papel de amante do cinema e o filme homenageia de forma magistral os aspectos da sétima arte e ao mesmo tempo surpreende com os efeitos simples, mas lindos.


 Sebastian incorpora o papel do amante da música (principalmente do Jazz), que leva o espectador e Mia para o ambiente musical, onde tudo pode ser sentido se realmente prestar atenção na melodia e nos músicos que a tocam. E é justamente nisso que o espectador devia focar, em prestar minuciosa atenção no filme, nos personagens e nas canções, para tirar o máximo que a obra oferece.

 Junto da magia e da música está o visual incrível do filme. É fácil perder-se  nos visuais em nível de pintura que o filme apresenta, é realmente uma oportunidade magnífica de poder ver um filme que usa tão bem de todos os artifícios do cinema (como atuação, visual, trilha sonora, montagem) para apresentar uma obra estonteante.


 O filme poderia ter mais momentos musicais, mas isto não atrapalha o desenvolvimento dos personagens principais e da historia. Se você gosta de musicais, não pense duas vezes e assista La La Land. Uma experiência mágica te aguarda. Nota 9/10.

 Esta resenha faz parte do meu especial em que publicarei textos sobre todos os filmes indicados a "Melhor filme" do Oscar, então fiquem atentos!

21 de janeiro de 2017

Senta que lá vem resenha: Sherlock - 4ª temporada

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 É muito bom ter Sherlock de volta. Mas ao mesmo tempo, um certo receio paira por causa da terceira temporada e o que ela poderia significar para a historia no futuro. Contém muitos spoilers.


 Infelizmente, a quarta também não fica muito longe da terceira. A S04 não foi ruim, mas também não foi ótima. Antigamente, a série baseava-se com muito charme na resolução de crimes mais simples, orquestrados por pessoas que mesmo não sendo ameaçadoras em um nível global, passavam medo ao espectador, como por exemplo o caso do taxista serial killer.

 O primeiro problema de Sherlock pós-Moriarty é querer sempre elevar tudo que acontece em volta dos personagens em um nível gigantesco, como é o caso de Mary Watson (Amanda Abbington). No primeiro episódio, The Six Thatchers, o espectador é levado a pensar que a série voltou às suas raízes e mostra um caso peculiar que é resolvido rapidamente, para dar espaço a uma historia sobre o passado mercenário de Mary. 

 O episódio todo torna-se uma busca exagerada no maior estilo filmes do James Bond. Mary tinha um enorme potencial para ser uma diferente adição para a química do protagonista e de Dr. Watson (Martin Freeman), mas parece que hoje em dia a cabeça dos escritores só sabe trabalhar com acontecimentos grandes.


 O segundo episódio, The Lying Detective, foi um ótimo exemplo de como a série pode manter-se um pouco com os pés no chão, mas ainda assim surpreender. Apesar de algumas "miraboladas", como Sherlock (Benedict Cumberbatch) prevendo tudo que aconteceria no futuro, foi um episódio muito bom, que centrava-se na caçada a um serial killer.

 The Final Problem, o terceiro episódio, passa uma boa parte prendendo o espectador em um nível de extrema tensão ao mostrar uma menina acordada num avião prestes a cair, com todos os adultos dormindo. O que Sherlock, Watson e Mycroft (Mark Gatiss) farão para salvá-la e impedir que o acidente mate muito mais pessoas? Além disso, estavam os três numa armadilha complexa orquestrada pela vilã da vez, a irmã Holmes: Eurus .

 Mas ao final, era tudo uma metáfora. Eurus se fechou numa prisão mental e a única coisa que poderia salvá-la, era (possivelmente) o contato com os irmãos, mas o episódio perde toda seu peso, sua tensão, ao saber que aquela menina não "existia".

 Sim, é possível entender que Eurus é a mais inteligente dos irmãos, porém insana. O que fez sua mente se fixar num momento específico de sua vida e a "prendeu" em um avião. Então, seu lado psicótico decidiu fazer um "jogo" com seus irmãos, para talvez, se aproximar mais deles.

 Foi um episódio bom, mas que em seu final levanta mais questões do que esclarece. Como ela conseguiu elaborar tudo aquilo? Ela realmente pensou em todos os detalhes 5 anos à frente? Como ninguém teve a brilhante ideia de procurar RedBeard/o menino no poço da residência dos Holmes?

 O que deve ser dito é: Sherlock era muito melhor quando as coisas eram simples e não uma trama gigantesca cheia de não explicações e saídas fáceis para justificar um vilão. A época Moriarty, sem dúvida, foi a melhor.


 Enquanto a terceira temporada ficou enfraquecida porque não teve um vilão à altura de Moriarty, a quarta também não chegou aos pés das duas primeiras, porque tentaram elevar tudo exageradamente. Eurus Holmes quase foi uma super-vilã, de verdade.

 Sherlock era uma série que primeiro mostrava algo impossível para no final dar uma explicação lógica para tudo aquilo. Mas não foi isso que aconteceu nesta temporada. Todo aquela balela da irmã de Eurus poder "controlar a mente" das pessoas que ela conversa nunca foi esclarecido de forma crível.

 Como foi dito anteriormente, a 4ª temporada não foi ruim, mas não chegou nem perto da excelência que foram a 1ª e 2ª temporadas. O final passou a mensagem de que Holmes e Watson continuam atuando resolvendo crimes, ou seja, é possível ver uma continuação, mas se não tiver, está tudo bem. A 4ª temporada recebe uma nota 6/10.

10 de janeiro de 2017

Senta que lá vem resenha: Minha Mãe é Uma Peça 2

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 Não é sempre que temos uma comédia brasileira boa para assistir no cinema. Como adorei o primeiro, senti a necessidade e a curiosidade de ver onde levariam Dona Hermínia nesta sequência.


 O filme faz questão de mostrar rapidamente que começa exatamente onde o anterior parou: Dona Hermínia agora tem um programa na TV só que ao mesmo tempo tem que cuidar de casa e dos seus filhos que estão cada vez mais vagabundos.

 Paulo Gustavo continua espetacular no papel. Sua personagem aparece em todo momento do filme (obviamente) e o mais incrível é que nunca fica cansativo pois Hermínia é divertidíssima e sempre faz questão de gerar gargalhadas na plateia em todo diálogo.

 As interações da mãe com seus filhos, Juliana (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier) são os pontos mais altos do filme. As conversas são feitas de maneira tão natural que é possível identificar-se com muitos dos diálogos/brigas entre os personagens.


 Infelizmente, apesar do filme ser divertido, um roteiro conciso não existe. Minha Mãe é Uma Peça 2 é uma colação de cenas atrás de cenas para dar uma sensação de desenvolvimento, porém é apenas isso. Não temos um tema maior por trás, histórias secundárias bem desenvolvidas ou um início, meio e fim propriamente ditos.

 Não existe nem um drama focado quando os filhos da protagonista decidem seguir com suas vidas e sair de casa. Poucas cenas de Hermínia chateada com a situação foram utilizadas, mas nunca exploram bem esse lado da personagem, já que resolvem sempre manter o humor do filme em alta.


 Apesar da montagem do roteiro ser pobre o filme diverte bastante com um clima leve e descompromissado, cumprindo seu único objetivo: Divertir o espectador.

 A trilha sonora é animada e se encaixa no clima leve do filme, mas em algumas cenas apenas se ouve as músicas em um volume exageradamente alto prejudicando alguns diálogos.

 Enquanto o filme funciona muito bem com seus personagens sinceros, reais e engraçados, peca num roteiro empobrecido em nome de obter o maior humor possível. Nota 6/10.

3 de janeiro de 2017

Um novo Grande Responsabilidade está por vir

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 Olá, meus caros leitores! Neste início de ano no primeiro texto, eu decidi anunciar que pretendo executar algumas mudanças grandes aqui no blog.


 Como vocês sabem desde que o iniciei, eu não faço apenas resenhas como publico notícias mescladas com opiniões, como por exemplo em trailers, anúncios de elenco etc.

 Mas eu venho notando que eu não posto notícias ou trailers com o maior dos ânimos hoje em dia. Diferente disto, quando posto resenhas de filmes, séries ou jogos eu sinto algo muito prazeroso, um amor gigantesco quando escrevo este tipo de texto.

 Foi quando eu decidi que eu quero tornar meu blog um SITE e quero apenas publicar críticas/resenhas de tudo que assisto. Por quê? Simplesmente porque postagens de notícias e trailers você vê em todo canto da internet. É, digamos, uma coisa padronizada. Você talvez não queira ver mais uma postagem de trailer sendo que já o assistiu ou leu a notícia em outros sites maiores.

 Mas um texto opinativo comentando um filme recém-lançado, falando dos pontos fortes e fracos na visão opinativa do autor é algo único. É algo que eu quero me aprofundar ainda mais. Eu me sinto muito feliz escrevendo uma análise de um filme, tendo gostado dele ou não, e ver meus leitores curtindo e comentando sobre o que produzi é incrivelmente compensador.

 Além disso, quero assinar um domínio ".com.br" para evoluir meu blog e fazê-lo finalmente ser um site, que é algo que eu venho querendo faz um bom tempo. Talvez eu até mude o design dele em breve, quem sabe.

 Tudo isso porque poderei organizá-lo de uma forma bem mais adequada e profissional, para facilitar que você, caro leitor, navegue sem problemas pelas minhas recentes e antigas resenhas.

 Eu não sei quantos visitam regularmente ou quantos visitam de vez em quando, mas gosto de comunicar as mudanças que pretendo fazer no futuro do blog e espero que permaneçam comigo nesta nova jornada.

26 de dezembro de 2016

Senta que lá vem resenha: The Return of Doctor Mysterio

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 Finalmente, meus caros leitores! Finalmente tivemos um episódio novo de Doctor Who depois de tanto tempo sem esta maravilhosa série e fico feliz em dizer que o Especial de Natal deste ano não deixou a desejar.


 O Doctor (Peter Capaldi) precisa livrar a terra de um ataque alienígena. Estes alienígenas trocam o cérebro de suas vítimas humanas pelos cérebros de seus irmãos ETs e através disto eles tem o objetivo de dominar a terra possuindo todos os líderes mundiais.

 A história é simples mas... funciona MUITO bem! O ritmo do episódio flui naturalmente e em nenhum momento ele mostrou-se tedioso ou digno críticas, os diálogos são bem escritos e as piadas engraçadas. E é isso o que os fãs esperam de um bom especial de Natal, algo simples e divertido, não levado para a área cinzenta da seriedade total e que diverte em toda a sua uma hora de duração.

 Claro, os vilões Dr. Sim (Aleksanar Jovanovic) e Mr. Brock (Adetomiwa Edun) não são os mais incríveis ou inovadores, mas eles são legais e cumpriram o papel como vilões do especial.


 O que mesclou muitíssimo bem com todo o clima do especial foi a série adentrando na temática super-heroica, tão popular atualmente. E foi uma ótima escolha de tema para esse especial, porque Grant (Justin Chatwin) domina extremamente bem o papel de cara normal/cara poderoso e juntamente com a inteligente/observadora Lucy (Charity Wakefield) apresentam uma química muito legal.          

 O Doctor tem um novo companion, Nardole (Matt Lucas) e as trocas de diálogo deles em diversos momentos são uma das melhores coisas do episódio. Capaldi já é excelente por si só e vê-lo atuando com outro ator igualmente divertido de assistir é incrível.


 O final deixou uma coisa em aberto: o alienígena fugindo no soldado da UNIT (como será que ele se transferiu nele?) o que deixa aberto a possibilidade de ser uma das tramas da 10ª temporada.

 Após terminar o especial, é de se notar a saudade de assistir um episódio de Doctor Who, aquela sensação boa que deixa o coração quente ao saber que o Doctor continua divertido e sempre vai estar presente com suas maluquices e sua bondade para salvar a humanidade. Nota 10/10.

21 de dezembro de 2016

Senta que lá vem resenha: Rogue One - Uma História Star Wars

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 É incrível pensar que temos a oportunidade de vivenciar esta época grandiosa para os fãs de Star Wars. A Disney ter comprado a franquia foi uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido pois tivemos dois filmes novos do universo SW nos últimos dois anos.


 Havia muito temor de que Rogue One (daqui para frente mencionado como R1) seria apenas algo para encher linguiça da historia até o Episódio VIII. Mas, mas foi muito mais que isso. O filme contém uma historia que expande A New Hope, porque agora sim é mostrada a primeira grande vitória contra o Império, mencionada na introdução do filme.

 Parte do que faz a historia dar tão certo são os personagens. Jyn Erso (Felicity Jones), Cassian Andor (Diego Luna), K-2SO (Alan Tudyk), Orson Krennic (Ben Mendelsohn) Chirrut Îmwe (Donnie Yen), Baze Malbus (Jian Wen) e Saw Gerrera (Forest Whitaker).

Todos atuam bem na historia e conforme ela desenvolve-se, cativam cada vez mais o espectador com suas personalidades únicas e interessantes. Detalhe para o personagem Chirrut que acredita que é "um com a Força" e rende grandes momentos no filme.

 Apesar dos personagens serem ótimos, poderiam ter mostrado mais da evolução de Saw Gerrera, desde a época em que ele resgata a pequena Jyn até o período em que o mesmo ficou todo "destruído" com aqueles suspiros que lembram o próprio Vader.

 O que deve-se notar no filme é que aquele romance forçado que existe em tantos projetos de Hollywood não faz presença aqui. Em certo momento o espectador pensa que Jyn e Cassian irão se beijar para selar essa sina mas não, são apenas parceiros que estão em uma missão e conforme ela evolui, mais objetivos vão surgindo e se encaixando na trama.


 Conforme a história evolui, as cenas de ação vão tornando-se maiores, com seu ápice sendo atingido na batalha final. Todos os momentos com explosões, tiros a laser e barulhos de naves foram tão incríveis de se assistir que o filme passa até mais rápido. O visual de R1 é simplesmente belo. Em vários momentos as paisagens lindas, mescladas com a ação fazem o espectador se deleitar com a beleza que está vendo na tela.

 No final, é muito legal notar que tudo se conecta com o Episódio IV. A sensação de ler os letreiros iniciais de A New Hope é totalmente diferente depois e assistir R1, tudo isso porque ele cumpre a tarefa de ser uma prequel fiel, que se encaixa perfeitamente (como uma peça de lego) no universo Star Wars.

 Darth Vader aparece em poucos momentos do filme. Mas tudo é recompensado na cena final em que ele mata vários Rebeldes um a um, numa montagem assustadora que mostrou realmente o medo que o Lord Sith causa em meros humanos que estão ali somente com "simples" armas.


 Um dos aspectos fracos não é nem relacionado à historia em si mas sim aos efeitos computadorizados. Na primeira vez que mostram (o gerado pelo computador) Tarkin é estranho. Seus movimentos são caricatos porque tentam recriar o que o ator original fazia, mas depois de algum tempo ele melhora muito e os olhos do espectador acabam acostumando-se.

 No geral, R1 é muito bom e revigorante. Revigorante no sentido de que os personagens principais durante o filme morrem um a um. O cinema precisava disto, algo diferente de uma história em que todos saem vivos no final, com alguns arranhões e vivem felizes.


 A franquia "Uma Historia Star Wars" mostra um potencial enorme de contar historias que não necessariamente precisam estar nos episódios principais. Mesmo sem a presença de Jedis e sabres de luz, os personagens de R1 e toda a trama seguram bem o filme. Nota 8/10.